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O amor nos pequenos gestos
Moça
Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?
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Metáforas
Sobre eles
Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote.
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O amor nos pequenos gestos
Dona Epifânia II
 Fotos: Rita Apoena (Dona Epifânia e
Guilherme)
"Aí, quando foi perto dela morrer, ela chamou todo mundo e disse: 'Ói, gente, num deixe a minha menina morrer de fome não, nem de
necessidade, nem de nada, que essa fia minha didicou toda vida a eu.' Foi um
desgraçado que bateu em minha mãe, ela véinha, quase matou! Encontrou ela na
estrada e deixou na palha de banana. E mãe ainda perdoou ele. Passou um tempo,
eu disse: 'Mãe, um homem desgraçado desse, eu queria pegar um boneco dele e
fincar na agulha'. E mãe: 'Não, fia, não pode isso, não. A gente tem de perdoar
todo mundo. Tudo o que é ruim e tudo o que é bom. Você vai ver, ele morreu
amarrado, endoidou, ficou doido. E eu... ói, você vai ver como é que eu vou
morrer, minha fia... ' E foi memo. Eu disse: 'Mas mãe, a senhora ficou mais
doente depois que esse desgraçado lhe bateu!' E ela de novo: 'Não fia, ele
morreu lá, todo atrapalhado, endoidou, mas você vai ver como eu vou morrer, eu
vou morrer fechando o zóio feito um passarinho. E foi memo. Dali um pouco,
mãezinha fechou o zóio feito um passarinho..."
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