 |

A menina e o arco-íris
 Foto: Rita Apoena
Todo dia, a menina corria o quintal, procurando um arco-íris. Corria olhando para o alto, tropeçava e caía. Toda vez que se machucava, vinha chorando uma cor. Um dia, chorou o anil até esvaziá-lo dos olhos. Depois, chorou laranja, chorou vermelho e azul. Chorou verde. Violeta. Amarelo e até transparente! Chorou todas as cores que tinha, todas as cores de dentro. Então, abriu os olhos e nem o arco-íris, ela viu. Não viu flores e borboletas. Não viu árvores e passarinhos. Pensando que era ainda noite, deitou-se na cama e dormiu. Pensando que era tudo escuro, nem levantar-se ela quis! Ficou dormindo cinzenta, por dias e noites sem fim... Foi quando um sonho, tão colorido, derramou-se dentro dela! Tingiu o travesseiro e a fronha, o lençol e o pijaminha. Tingiu a meia e o quarto. Tingiu as casas e os ninhos! A menina abriu a janela e viu que hoje não tinha arco-íris. Mas tinha o desenho das nuvens. Tinha as flores e um passarinho.
Rita Apoena |
|
envie o texto | no orkut
|
O amor nos pequenos gestos
Dona Luíza II
 Fotos: Rita Apoena
"Você
sabe, o Brasil é novo perante o estrangeiro. Daí vieram um bocado das gentes,
uns nadando, outros num pé de tábua - aquelas tábuas que parecem um naviozinho,
não afundam. Foi aumentando a população, eu acho assim. Eu não gosto de certas
coisas, vieram do estrangeiro de navio com os escravos. Como que traziam os
escravos! Naquele porão, um por cima do outro, como... como uma coisa que não
fossem gente! Os escravos faziam cocô, xixi, tudo ali entre eles, saíam tudo
sujos aqueles rapazes lindos, morenos. Como que um povo que começa assim,
Ritinha, pode ter respeito por si? A Bahia foi o primeiro lugar do Brasil, a
Bahia tem muito valor, mas o povo vem de lá sem saber do valor que tem..."
Rita Apoena |
|
envie o texto | no orkut
|
|  |