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O amor nos pequenos gestos


Dona Luíza II


Fotos: Rita Apoena

"Você sabe, o Brasil é novo perante o estrangeiro. Daí vieram um bocado das gentes, uns nadando, outros num pé de tábua - aquelas tábuas que parecem um naviozinho, não afundam. Foi aumentando a população, eu acho assim. Eu não gosto de certas coisas, vieram do estrangeiro de navio com os escravos. Como que traziam os escravos! Naquele porão, um por cima do outro, como... como uma coisa que não fossem gente! Os escravos faziam cocô, xixi, tudo ali entre eles, saíam tudo sujos aqueles rapazes lindos, morenos. Como que um povo que começa assim, Ritinha, pode ter respeito por si? A Bahia foi o primeiro lugar do Brasil, a Bahia tem muito valor, mas o povo vem de lá sem saber do valor que tem..."

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Dona Epifânia IV


Foto: Rita Apoena

"Mas ela era assim. Tinha um fio dela, que era bandido e andava mais Lampião. Apois ele chegava, quebrava os dente dos cavalo, batia tudo nos coitado que ia buscar leite, furava os cavalo de punhal... Aí, quando foi num dia, ela tava deitada, levantou-se e disse: 'Me levanta aqui?'. Aí, levantemo ela pra mor de sentá. Ela disse: 'Venceslau tá correndo perigo.' Falei: 'Ele tá na casa dele, Mãinha, não tem ninguém lá'. E ela: 'Mas ele tá correndo perigo. Eu sei. Me levanta aqui que eu vou lá na  casa dele.' Aí, quando chegou lá, a mulher dele disse: 'Tá tudo bem, nós vai tudo dormir!'  Apois ela disse: 'vou dormir aqui tombém. Me chamaram aqui, eu sei! Eu sei que Venceslau tá preciso de mim!'  Quando foi de manhã cedinho, ela levantou-se e disse: 'Deixe eu ir na frente.' Pois chegou no muro e viu. O pessoal tudo sentado de arma, mirando pra ela, esperando Venceslau, que fazia muita desgraça mais Lampião. Ela: 'Mas gente, pare!' Era tiro pra tudo lado, como não saiu uma bala nela? Nem em Venceslau? Ela: 'Gente, pare! Vocês não vão conseguir.' Mas tudo o que ela falava era incrívi. Apois, eles pararam. Ela disse: 'Pode ser outro dia, mas hoje não.' Daí, ela foi lá porque sabia que ia acontecer alguma coisa mais ele. Ela sabia tudo, igual a minha avó. Mas minha avó não ensinava pra tudos os fio, só pra minha mãe, porque sabia que ela não ia fazer mal a ninguém. Você acha? Se eu tivesse um poder daquele, mandava matar o desgraçado. Por isso, minha avó dizia que a Mãe ela ensinava, mas aos outro nium. Pois o que ela sabia era pu bem e pu mal. E ela só queria o bem dos outo, por mais ruim que era, não queria o mal..."

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Dona Epifânia III


Foto: Rita Apoena

"Quando foi num dia, só tinha a comida da tarde, não tinha outra coisa, mais nada. Aí de tardezinha chegou um pessoal do Ceará, eles enchia um comboio de criança, pra mor de ir para outro lugar porque não tinha o que de comer. Aí, disseram: 'Ói dona, meus fio tá tudo morrendo de fome, não tem um bocado pra dar?' Minha mãe: 'Eu tenho, claro!'. E nós tudo olhando. Ela pegou tudinho numa cuia, rapou tudo e deu a eles. Aí eu virei pra ela: 'Mãezinha, e nós? O que diacho nós vamo cumê de noite? A senhora deu tudo a eles! Nós não tem mais nada!' Ela falou: 'Deus me deu dó a dar a quem não tem. Não vai me deixar faltar'. Então, foi de noitinha já, chegou uns comandante, vinha de Sergipe, Jeremoabo, tudo. Vinha aquele comboio. Uns vinha com milho, feijão, outro com arroz, rapadura, carne seca, café, tudo. Vinha uns doze animal, tudo carregado. E eles tudo co´a roupa suja. Tempo de chuva. Aí eles chegaram e disseram: 'Ô dona, será que a senhora não dava o rancho aqui, uns dois ou três dias, pra senhora fazer umas comidinha pra gente, lavá nossa roupa, nós paga a senhora.' Aí tiraram carne, farinha, feijão, mandaram fazê. Menina, era uns arribe assim, tudo lotado de comida. Pra eles e pra gente. Aí nos comemo. Aí, ela falou, no meio daquelas panelas gostosa de comida: 'Oi fia, num falei? Num falei que a gente num ia dormir com fome? Você deve aprender isso, minha fia, a gente não pode deixar ninguém com fome, a gente deve de repartir nem que seja um grão de arroz, que você dê de bom coração...' "

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O moço que entrega panfletos

Arrumo o meu cabelo e ele ajeita a camiseta. Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água e agora nos reconhecemos, apesar da multidão. Eu, a moça que sai do trabalho e ele, o moço que entrega panfletos do dentista. É claro que eu sou muito mais do que uma moça que sai do trabalho e ele é muito mais do que um moço que entrega panfletos na rua. Mas tudo o que sei sobre ele é que uma obturação custa menos de dez reais e tudo o que ele sabe de mim é que meu sorriso é amplo e gratuito. Assim, a nossa relação gira em torno de dentes: fortes e insuperáveis. A multidão me atropela, assim como atropela e pisoteia os seus panfletos, mas eu paro por nove segundos, como se apanhasse a última edição do jornal, leio as suas manchetes odontológicas, sorrio ao meu amigo e digo... muito obrigada! A multidão o atropela, assim como atropela e pisoteia meus amuletos, mas ele pára por nove segundos, como se me entregasse os mais belos poemas camuflados, sorri e me diz... boa noite! E eu vou embora, com o nosso segredo guardado no bolso. Ali está meu cavaleiro andante e sua armadura de plástico, colorida, com os preços estampados.

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Agora em silêncio

Sabe, acho que ninguém vai entender. Ou, se entender, não vai aprovar. Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de carinho e boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for um bom menino, eu vou lhe dar um chocolate. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, pára de dar carinho e corre para bem longe de você? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de abandono, e corre em direção aos braços mais quentinhos. E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Na minha opinião, é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro.

Eu também tenho medo, dragões aterrorizantes que atacam de quando em quando, mas eu não acredito em nada disso. Quando eu saí de uma importante depressão, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar do planeta! Haveria de existir! Nem que este lugar fosse apenas dentro de mim... Mesmo que ele não existisse mais em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construi-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor e eu nunca mais ficaria doente. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi um bom menino. Ou porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, um banquinho cheio de almofadas coloridas e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banquinho do nosso amor, o nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas.

No mundo de cá, as relações se dão na superfície. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto você estiver na outra, saudável, amoroso e alto-astral, nós nos amamos. Se você afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso, nem mesmo no sexo. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso não é nada fácil, porque existem os dragões do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juízo. Mas se eu não atravessar isso agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu livrinho será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, feito um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote, é a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente é acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu não quero passar a minha existência pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relações humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silêncio, a cem metros de distância. Eu e o meu boneco de infância, porque no meu mundo a gente não abandona sequer os bonecos que foram nossos amigos um dia.

Agora em silêncio, tentando ensinar dragões a nadar.

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Guilherme


Foto: Rita Apoena

Eu pus o nome dele: Dudu. Porque assim era bom. Porque os outros boneco queria ser amigo dele. Aí, eu deixei. Eu deixei ser amigo dele. Já o outro eu perdi: o Snoopy. Eu encontrei ele uma vez. Mas, depois, eu perdi ele de novo! Coitado, né? O Dudu eu não perdo, não. A gente não briga. Quer dizer, só quando é de lutinha. A gente é amigo. Eu só durmo com ele. Quer dizer, tem dia que ele some e vai dormir no caixote com os outro boneco, porque eles tudo é amigo também. Ah, era só isso que eu tinha pra falar nessa entrevista, tá?

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Moça

Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?

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Dona Epifânia II


Fotos: Rita Apoena (Dona Epifânia e Guilherme)

"Aí, quando foi perto dela morrer, ela chamou todo mundo e disse: 'Ói, gente, num deixe a minha menina morrer de fome não, nem de necessidade, nem de nada, que essa fia minha didicou toda vida a eu.' Foi um desgraçado que bateu em minha mãe, ela véinha, quase matou! Encontrou ela na estrada e deixou na palha de banana. E mãe ainda perdoou ele. Passou um tempo, eu disse: 'Mãe, um homem desgraçado desse, eu queria pegar um boneco dele e fincar na agulha'. E mãe: 'Não, fia, não pode isso, não. A gente tem de perdoar todo mundo. Tudo o que é ruim e tudo o que é bom. Você vai ver, ele morreu amarrado, endoidou, ficou doido. E eu... ói, você vai ver como é que eu vou morrer, minha fia... ' E foi memo. Eu disse: 'Mas mãe, a senhora ficou mais doente depois que esse desgraçado lhe bateu!' E ela de novo: 'Não fia, ele morreu lá, todo atrapalhado, endoidou, mas você vai ver como eu vou morrer, eu vou morrer fechando o zóio feito um passarinho. E foi memo. Dali um pouco, mãezinha fechou o zóio feito um passarinho..."

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Menina

Não precisa ficar com ódio até crescer, quando ele abrir a porta e com mãos adultas esmagar seus sonhos de criança, haverá no gesto delas o desespero de um adulto tentando abrir com força uma caixinha de música, que nunca mais tocou ao seu coração rude. Não vê como bravo, ele está triste, procurando a infância dentro de você? Não vê como os seus braços, violentos, apertam tanto, tanto... querendo abraçar? Não vê como seus olhos duros estão querendo chorar? Vem, moço, vem brincar no balanço e no gira-gira. Vem ver a pequenina bailarina rodar.

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Dona Mariana


Foto: Rita Apoena

"Agora os filho tão grande, tem carro, tem ônibus de graça para os idoso e a gente não vai. O que será que está acontecendo? Será que a gente vai ficando velha e vai ficando assim? Mas não é, os novo também tão tudo enfiado dentro de casa, vendo tevê, fazendo uma coisa, fazendo outra, tudo com pressa. Não tem mais tempo de sentar para ser o amigo um do outro." (...)

"A gente cria, mas não dá coragem de matar. Lá na chácara, eu não vendia, deixava as galinha até morrerem de velhinhas. Aqui mesmo, morreram umas galinha, já não botavam mais nada, não tinham remédio, mas a gente não tem o costume de vender. Sei lá, eu acho até que... ah, não acho certo vender as galinha. Na casa da cumadi, teve uma festa de noite. Os convidado pegaram um patinho da gente. Depois, Dona Alzira achou uma pata com o pescoço cortado, sem morrer. Ô judiação, não era para comer que a gente criava os patinho, era só por amizade... " (...)

"Quando eu fizer mais pastel, eu chamo você, viu Rita. Você gostou do pastel? Toma mais suco, ó. Estava com saudade do pastel da Mariana, estava? Pode comer, come sim, não tenha bronca de comer. Eu chamo você. Ô, eu vou gostar tanto que você venha comer o pastel da Mariana, ô minha nossa, mas eu vou gostar tanto..."

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Menina

Não precisa ficar com medo. Quando a sua mãe não abrir a porta e você passar o dia todo para o lado de fora, eu vou brincar com você e te abraçar tão forte que este sentimento de abandono irá se transformar em mil e quinhentas borboletas no ar, rodopiando em seu cabelo, fazendo cócegas em sua barriguinha. Então, você irá entender que sua mãe não pode abrir a porta porque dentro do quarto onde ela chora, faz tanto frio e tanto medo que o jeito mais bonito que ela encontrou de te amar foi te deixar para o lado de fora.

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Dona Luiza


Fotos: Rita Apoena

"Eu saí hoje, vi que não tinha nada para tomar café, mas eu tinha três reais na bolsinha. Dei para a Teresa comprar comida aos meninos. Teresa me faz muita raiva, mas eu fui nascida para perdoar. As pessoas nascem para certas coisas desde que o mundo é mundo, eu fui nascida para perdoar... "

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Dona Epifânia I


Foto: Rita Apoena

"Perdi meu pai quando minha mãe estava grávida. Me criei. Nem tinha o que comer, não tinha o que vestir, não tinha o que calçar. Minha mãe fazia uns sapatos, uns chinelos pra vender, pra nós comprar o que de comer. Quando ela estava se erguindo, um tio meu quase matou ela porque minha tia fugiu com um rapaz e ele pensava que mãe sabia. E mãe procurando ela. Então, a gente comia uns matos lá no norte, xique-xique, chega ardia garganta, palma, umbu, quixaba. Minha mãe muito doente. Aí eu falava: 'Ai mãe vamos embora daqui!'. Ela dizia 'Não, minha filha. Para onde eu vou? Já vendi a minha casinha.' Eu disse, pequeninha. 'Mãe eu corto mamona, nós faz uma casinha na areia. Lá é difícil chover mesmo. Com as folhas assim, lá não chove mesmo e daí eu vou procurar fruta para nós comer. E eu fui mesmo e ela foi atrás, tadinha, fazer meus gostos... Parecia uma casinha de boneca, ela entrou assim, se encurvando. E ficou lá comigo." 

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Comunidade Rita Apoena
Comunidade do Jornal
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Textos e fotos: Rita Apoena Ilustração do topo: Liniers
Desenhos: Jay e Pablo
Música: Amiina










Rita Apoena divide o quarto com uma lagartixa chamada Judith. Judith sempre volta para ouvir mais um trecho do seu livro. "Se o pessoal tiver o mesmo gosto da lagartixa, o meu livro vai ser um sucesso!" ela pensa animada.



Ilford FP4 e Fuji Provalue.

Uma pena voou
Uma pena pousou
Caminho de penas
Um chinelo ficou
Uma pedra caiu
Uma chave sumiu
Um feixe invadiu
Um amigo se foi
Girassol I
Alguns morrem
Outros brotam
Girassol II
O chão amparou
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro
Circo Picadeiro




câmera compacta

muro
agasalho
intransponível
esperança
namoro dos benjamins
jacaré




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